16 de março de 2011

Mãos cheias, coração vazio

A Bíblia em um ano:
Deuteronômio 28-29
Marcos 14.54-72


“Melhor é a mão cheia com descanso do que ambas as mãos cheias com trabalho, e aflição de espírito.”
Eclesiastes 4.6


O trabalho dignifica o homem. Não há nenhuma dificuldade em se observar o prazer que nos envolve quando realizamos bem um dever.

Contudo, o trabalho excessivo prejudica e destrói... destrói sonhos que Deus coloca nos corações de Seus filhos; destrói momentos de alegria e gozo com a família, com os amigos e com o próprio Deus; destrói possibilidades que se tornam oportunidades perdidas; destrói os sentimentos de comunhão, de fraternidade, de aceitação.

Um sábio que, após certo período de sua vida, começou a dedicar sua vida ao acúmulo de riquezas materiais e ao gozo destas, concluiu que é melhor ter pouco em uma das mãos mas tê-lo com descanso da alma, do que ter ambas as mãos cheias de bens e fortunas e, no entanto, o produto de tanto trabalho ser aflição de espírito.

Com a mão que permanece vazia, podemos saudar pessoas, demonstrando-lhes amor e amizade; podemos ajudar quem precisa; podemos abençoar outras vidas; podemos nos alimentar e até alimentar outros; podemos construir; podemos fazer carinhos e afagos em pessoas queridas; podemos continuar sendo produtivos, sem nos enfadar por termos acumulado riquezas e bens e já não precisarmos (ou, antes, não podermos) mais realizarmos obras fecundas, que realmente possam dar sentido à vida.

Certa vez um salmista declarou: “Aqueles que confiam na sua fazenda, e se alegram na multidão das suas riquezas, nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele (pois a redenção da sua alma é caríssima, e cessará para sempre)...O homem que está em honra, e não tem entendimento, é semelhante aos animais, que perecem.” (Salmos 49.6-8,20)

Há um veredicto que deve existir na vida de todas as pessoas que professam o Senhorio de Cristo sobre elas: o materialismo não pode tornar-se o nosso alvo, mas deve ser provisão divina para nós como demonstração dos cuidados de Deus sobre todos os que buscam primeiramente o Seu Reino e a Sua Justiça (Mateus 6.22). Pois os verdadeiros tesouros são aqueles que estão acumulados diante de Deus, no Céus, onde o ladrão não mina, a ferrugem não consome e a traça não corrói. (Mateus 6.19-20)

Porque, onde estiver o nosso tesouro, ali estará o nosso coração (Mateus 6.21), e nada mais necessário e conveniente que todo ouro deste mundo é termos o perdão de Deus, a salvação em Cristo e a comunhão com o Espírito Santo, tesouros que cabem em nossos corações, nos permitem manter nossa mão vazia – pronta para servir e abençoar, e o melhor: são os maiores bens que alguém pode possuir... Tal valor é inestimável!

O acúmulo de riquezas na terra é algo que enche os olhos e as mãos de muitos, mas mantém os corações vazios de Deus...