Gotas de Vida...

O Senhor da Criação...



13 de maio de 2006

Deus cuida de mim!


DEUS CUIDA DE MIM!


"(...) A ti te escolhi e não te rejeitei; não temas, porque Eu sou contigo; não te assombres, porque Eu sou o teu Deus; Eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça. (...) Pode uma mulher esquecer-se tanto do filho que cria, que se não compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas, ainda que esta se esquecesse, Eu, todavia, Me não esquecerei de ti." (Isaías 41.9b; 49.15)



É comum alguém nos lembrar dessas promessas de Deus quando estamos em aflição.

Contudo, mais profundo, tocante e prazeroso para nós é ouvi-las da boca do próprio Deus.

Quero contar um pequeno testemunho de algo gigantesco que Deus fez em minha vida, e gostaria que você atentasse para cada palavra com interesse de ser edificado(a) por elas.

Sou evangélica há 9 anos e, atualmente, congrego numa igreja tradicional e pentecostal, onde sirvo ao Senhor há 4 anos. Foi lá que nasci de novo espiritualmente e nela fui batizada pelo Espírito Santo de Deus que, desde setembro de 2002 tem sido o meu maior, mais chegado e honroso amigo e companheiro durante as 24 horas ininterruptas todos os dias. Nesses últimos 4 anos de minha vida foi que realmente me converti ao Evangelho de Cristo. Os 5 anos anteriores a eles, foram vividos somente com um certo "convencimento" que eu era cristã.

Há pouco mais de um ano e três meses (mais precisamente no dia 28 de janeiro de 2005), eu fui submetida a uma cirurgia extremamente delicada (para ler o testemunho completo, clique aqui). Nessa época, eu já morava sozinha há quase 3 anos.

Para os pré-operatórios de rotina, eu precisava de tempo para me submeter a todos os exames e consultas que eram necessários (e eram muitos!). E isso tornou escassa a minha presença nos cultos: fui a dois deles no último mês antes da cirurgia.

Mesmo com minha ausência e sabendo que eu seria submetida a uma cirurgia, os irmãos da igreja não procuraram saber o motivo pelo qual eu não estava comparecendo às reuniões. Nem mesmo os componentes do departamento que, na época, eu coordenava... Nem mesmo o Pastor. Do hospital, eu havia ligado a uma irmã para que ela lhe comunicasse que eu precisava falar com ele antes de ser operada. Não sei o motivo pelo qual ele, até o presente, nunca fez essa ligação para mim.

Um certo sentimento de ter sido desprezada por todos começou a invadir meu coração. Confesso que tive um breve momento de ira em observar que, a congregação a que pertenço, que me viu nascer espiritualmente e onde tenho apreendido grande parte do que sei hoje sobre a Palavra de Deus e a conduta cristã, simplesmente não me considerava tanto quanto eu imaginava. Não estou falando aqui de ser "bajulada" pelos irmãos, mas sim de eles demonstrarem amor ao próximo – e isso se expressa com atitudes. Mas essa ira se reverteu em tristeza, por não estar me sentindo querida por ninguém que eu conhecesse.

De minha família eu não podia esperar muito também. Meus dois irmãos estavam trabalhando naqueles dias e não poderiam deixar seus serviços para irem comigo ao hospital. Minha mãe, uma diaconisa "desviada" da casa de Deus, na ocasião, estava se separando de seu marido e, portanto, completamente desestruturada para me fortalecer espiritualmente, até porque seu comportamento cristão e sua visão de Deus não condizem com o que a Bíblia nos ensina.

Namorado eu não tinha e amigos... menos!

Meus "amigos" tinham outros interesses. O meu tem sido me aproximar mais de Deus. E desde que o Senhor me chamou para exercer um ministério (da Palavra e do Louvor), houve uma separação em minha vida. Até hoje recebo títulos como "fanática" e "louca", por me preocupar em passar horas da minha madrugada e também de muitos dos meus dias orando com Deus e estudando a Bíblia.

Cabe abrir aqui um parêntese para relembrar o que Paulo disse aos coríntios:

"Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido." (1Coríntios 2.14-15)

Os "amigos" que eu tinha antes de Cristo, todos se afastaram. E os "amigos" que eu deveria ter depois de Cristo, acham que eu exagero em querer tanto o Senhor, porque eles também estão no mesmo caminho só que estacionados, resolvendo outras coisas de maior valor para eles.

Eles não entendem. Talvez nunca entenderão... ou talvez sim (prefiro acreditar nessa última hipótese).

Houve muitas dificuldades para que essa cirurgia fosse realizada. O que era impossível ao homem Deus mostrou que era possível para Ele próprio. E me demonstrava, a cada nova dificuldade, que Ele havia, pessoalmente, abraçado a minha causa. Mas o que quero tratar nesse relato é a fidelidade e os cuidados do Senhor sobre a vida das pessoas que se rendem a Ele.

Quando somos submetidos a uma cirurgia, ficamos ainda mais sensíveis. A presença de pessoas que nos amem e que nos incentivem a lutar pela vida é imprescindível. Mas eu não tinha nenhuma pessoa naquele momento que pudesse fazer isso por mim. Eu sabia que havia a possibilidade (uma grande possibilidade) de eu não retornar mais para minha casa... mas eu estava só.

Diante do "abandono" em que me sentia em relação aos irmãos da congregação, e também diante da impaciência e agressividade de minha mãe (estava depressiva por causa da separação e das dificuldades financeiras que estava passando e, por vezes ela falava heresias e coisas horríveis sobre a vida e sobre Deus), eu comecei a olhar mais ainda para o Senhor. Mas com um olhar pidão, de criança que estava recuada em um canto, precisando de uma ajuda que ninguém podia me oferecer.

O Senhor Deus, Senhor da minha vida, novamente expressou Sua bondade em meu favor.

Ele providenciou pessoas que, até agora, não conheço pessoalmente (e talvez nunca venha a conhecer nessa vida) para me darem suporte espiritual. São amigos virtuais que conheci através do trabalho desenvolvido neste blog.

Sem que eu pedisse nada nem informasse minha situação solitária a ninguém, essas pessoas se prontificaram a orar, a interceder diante de Deus por minha vida e pelo sucesso da cirurgia. Levantaram campanhas em suas igrejas, ligaram na casa da minha mãe e também no celular dela, no hospital... enfim, me abençoaram com tanto carinho.

Três delas, em especial, quero citar os nomes: São o Ivan Lessa (RJ), Janaína (PR) e a Graça Frauche (SP) (clique nos nomes para acessar os respectivos blogs).

Me recordo que, num dos sete dias em que fiquei no hospital, minha mãe se lamentava da vida e, desacreditada de Deus proferia insultos que entristeciam o Senhor. Eu havia estado até aquele momento sendo forte, tentando superar toda aquela tensão provocada pela delicadeza do momento que eu vivia. Mas quando a vi ofendendo o Senhor com palavras grosseiras e expressões incrédulas, confesso que também fiquei muito triste. Tudo o que eu queria naquele momento é que ela saísse do quarto, embora não tenha dito nada sobre isso a ela até hoje.

Uma voz suave soava em meu coração, dizendo: "Não se perturbe... Eu estou aqui!"

Mas meu olhos, por vezes, ficavam rasos d’água... e um nó na garganta subitamente surgia enquanto eu tentava disfarçar minha angústia. Mas como não sou boa em maquiar o que sinto, logo ela percebeu que eu estava triste. E resolveu voltar para casa.

Algumas horas depois o telefone tocou. Era o Ivan Lessa. Ele havia ligado para a casa dela e, como eu ainda estava no hospital, ele me ligou lá também. Me recordo suas palavras, logo que começamos a conversar (eu não havia falado nada sobre os irmãos da igreja):

"Deus tem grande coisa com você nesta terra, viu, menina? Seja forte diante de tudo o que você está passando. Nem pense em entrar em depressão. Sua mãe precisa muito de você nesse momento."

Eu confesso que não resisti e fiz o que há horas estava com vontade de fazer: chorei como uma criança.

Uma voz linda, meiga e gentil falava dentro de mim: "Sou Eu quem te dá forças... olha para mim!"

E, naquele momento eu comecei a entender que os filhos de Deus devem ser fortes nas adversidades da vida, mas não só para eles, porém, também para ajudarem a quem precisa.

Me recordo Jesus, pendurado na cruz do Calvário, vendo ali Sua mãe e o discípulo a quem Ele amava, dizendo: "Mulher, eis aí o teu filho. (...) Filho, eis aí a tua mãe." (João 19.26-27)

Depois de crucificado, a filiação de Jesus, Seu poder, Sua intimidade com o Pai foram questionados pelas pessoas incrédulas que assistiam Sua morte. Mas Ele não relevou tal ironia e, no meio da desconfiança daqueles que antes testemunhavam Seus milagres e que, agora, diante da cruz, já não criam que Ele podia fazer algo para Si, Jesus fez mais um milagre: instruiu Seus seguidores a se consolarem uns aos outros.

Oh, que preciosa lição nos deu o Mestre!

Ele nos ensina que os filhos de Deus são tão poderosos sobre a terra que, mesmo padecendo o maior dos males, eles têm forças (oriundas de Deus) para consolarem uns aos outros.

Ele me dizia isso através das palavras de Ivan.

E hoje eu tenho essa boa nova para contar a todos que precisam, pois a vivi na prática, e entendi que depender de Deus é o melhor que podemos fazer.

Durante os sete dias que fiquei no hospital, minha mãe só dormiu comigo duas noites e, durante as noites restantes e os dias, eu fiquei sozinha com Deus...

Depois que saí do hospital fui para a casa dela. Ali fiquei por 5 dias. Depois voltei para a minha casa, onde meu irmão estaria me fazendo companhia quando não estivesse trabalhando.

Na primeira noite em que dormi em sua casa, minha mãe teve um ataque de histeria depois que recebeu um telefonema da minha avó. Se Deus não tivesse me permitido estar ali naquela noite, minha mãe, com certeza, teria tentado suicídio mais uma vez, como já de outras vezes.

Encurvada, cheia de pontos, com um dreno externo ligado diretamente ao meu estômago, pouco ar nos pulmões, quase sem fala, recebi do Senhor forças para falar à minha mãe o que o Espírito Santo me entregava em meu coração. E, com muita dificuldade, me ajoelhei com ela e fizemos uma oração. Vi que uma paz tocou-lhe o coração e ela se levantou na manhã seguinte... cantando hinos.

Depois disso, falta de vigilância e, até este momento, minha mãe ainda encontra-se desviada do caminho da salvação. Continua demonstrando muita incredulidade e mas já pára para ouvir as coisas que vêm de Deus.

Ela própria testemunhou para outras pessoas que viu Deus agir pessoalmente em minha vida mediante minha fé, desde a primeira consulta com meu médico até a minha espantosa recuperação.

E aqui, novamente vejo se cumprindo a Palavra de Deus, que nos orienta:

"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus." (Mateus 5.16)

A luz que tem habitado em mim é o Espírito Santo de Deus, que tem me impulsionado a ter fé e praticá-la diante das adversidades da minha vida. Crer em Deus com tudo o que sou e tudo o que tenho e confiar que Ele realmente cuidaria de mim foi a melhor decisão que tomei, segundo o que o Espírito Santo propôs em meu coração. E o nome do Senhor da minha vida tem sido glorificado até por ímpios.

Perdoar os meus irmãos em Cristo deixou de ser difícil naquela instância, porque outra vez o Espírito Santo me reportava a Jesus no Calvário, sendo cruscificado pelas pessoas que Ele tanto amava, mas num gesto de amor sublime exclamou: "Pai, perdoa-lhes..." (Lucas 23.34). E permaneço congregando no mesmo lugar, até o dia em que o Senhor determinar minha mudança.

A você, amado, amada... quero expressar esse testemunho como um relato da companhia do Deus Vivo e das providências que Ele toma sobre a vida de qualquer pessoa que O receber como Senhor.

Foi uma situação muito difícil para mim, naquele momento tão delicado da minha vida eu me sentir desamparada por todos, principalmente por aqueles que me ensinaram (e continuam ensinando) tanto sobre o amor.

Contudo, a pessoa mais importante que há não me desamparou. Ao contrário. Deus cuidou de mim, esteve comigo em todo o tempo e me ensinou, na prática, que mesmo nas maiores adversidades, um salvo em Cristo tem forças para suportar a situação e ainda ajudar outros necessitados.

A presença dEle e Sua companhia não me faltaram.

Viver em comunhão com Deus, mantendo um relacionamento íntimo e sincero com Ele em todo o tempo nos garante essa constante presença e adorável companhia.

...E isso faz toda a diferença!

Que o Espírito Santo fale melhor ao teu coração...