Segunda-feira, Junho 29, 2009, 06:21

Face à imensa repercussão que teve o ocorrido, confesso que eu quis muito resistir ao ímpeto de escrever mais um artigo sobre a polêmica morte de Michael Jackson. Mas desde que ela aconteceu, um sentimento de revolta tem gritado em meu coração quanto à hipocrisia do mundo como um todo em relação a este jovem astro da música pop.
Quando ainda em vida, polêmico e conturbado, Michael expunha comportamentos bastante reprováveis em muitos momentos, fatos que o mantinham como alvo constante das críticas e ataques que, muitas vezes, eram até severas demais.
Contudo – espero, de coração, que alguém o tenha feito – não vemos ninguém oferecendo sua mão amiga para este homem que teve uma infância infeliz, uma adolescência desagradável e uma vida marcada por altos e baixos de proporções muito superiores àquelas que ele poderia resolver sozinho mesmo com toda a fortuna que possuía.
Com efeito, vemos críticas e mais críticas constantemente sobre ele. É a mídia – sempre impiedosa, oportunista e interesseira – arrasando a vida de mais uma pessoa, com o único intuito – estupidamente egoísta e ambicioso – de conseguir outro furo de reportagem, sem se preocupar com o que as pessoas sentem depois de saberem da maneira sensacionalista como suas imagens têm sido expostas.
E agora, sua morte vem como outra grande manchete, que merece espaço quase absoluto em muitos órgãos da mídia, pois vai gerar audiência, prestígio e lucro.
Poucos foram em busca do passado de Jackson para justificar certas atitudes do seu presente. Poucos prestavam-lhe homenagens enquanto lhe poderiam agradar em vida. Poucos observaram com mais apreço o seu lado humano que o seu lado obscuro. Poucos levaram em conta que Michael Jackson também era um ser humano cheio de imperfeições e limites, digno de ser respeitado, carente de receber afeto e compreensão. Mais um pecador despojado da glória de Deus. Mas praticamente todos se prontificaram a julgá-lo e condená-lo quando suas falhas se tornavam evidentes.
Quanta hipocrisia!
Neste momento, depois da sua morte, quando já não há mais como preencher o vazio que sempre foi inegável em seu coração, pessoas do mundo inteiro conseguiram fazer em cinco dias o que não fizeram durante os cinqüenta anos de vida de Michel Jackson: comoveram-se mais com a pessoa do que com a estrela. Reconheceram as frustrações do seu passado como agentes que influenciaram diretamente na sua personalidade revoltada e um tanto quanto polêmica; sensibilizaram-se mais com o delicado estado de saúde em que aquele homem viveu por longos anos da sua vida; perceberam o valor e a carência da sua pessoa; prestaram-lhe homenagens de todas as formas e fizeram cessarem as críticas difamatórias. Trataram-lhe com carinho!
Mas como será que um defunto pode reagir a isso?
Será mesmo que tem algum efeito agora?
Faz diferença para os milhões de fãs que Michael Jackson deixou em todo o mundo, pois mais do que nunca eles estão tendo informações sobre seu o ídolo, conhecendo mais a respeito de Michael, tendo acesso, inclusive, a imagens e entrevistas com o astro, até então disponíveis somente para algumas pessoas.
Programações nas redes de tv de todo o planeta foram alteradas para exibirem documentários especiais sobre a vida de Michael Jackson. Pessoas se mobilizaram no mundo inteiro para homenagear alguém que, em vida, souberam criticar e condenar duramente, embora a grande maioria delas o reverenciasse como um "deus" – e isso é uma questão indiscutível.
Mas, quando Michael ainda era vivo, alguém dos fazedores de mídia soube expressar amor sincero, fraternal, acolhedor para com ele? Dos cristãos que agora escrevem sobre ele, questionando sobre suas escolhas, se vale à pena ter tanto dinheiro e não ter salvação em Cristo Jesus, alguém orou pela sua vida, para que Deus viesse a alcançá-la com Sua salvação? Dos fãs que o idolatravam, quantos queriam ver Michael realmente feliz e bem realizado em toda a sua vida, em vez de apenas exigir dele a melhor música, a melhor dança, um trabalho satisfatório ao público? Dos produtores e empresários que lhe apoiavam, algum conseguiu ver Jackson como um ser humano cheio de sentimentos e necessidades, mais do que uma máquina de fazer sucesso?
Poucos... muito poucos, certamente podemos concluir.
Talvez a história de Michael Jackson fosse diferente, se em vez de contribuir-lhe para tanta pressão e aprisionamento, o mundo lhe estendesse a mão e amparasse com amor, abençoando-lhe ao agir com Graça para com ele.
Desejo, de todo coração, que antes de ter fechado seus olhos para a eternidade, Michael Jackson tenha aberto sua vida para Cristo.
E desejo que os homens, principalmente os cristãos, sejam representantes do amor de Cristo sobre a terra, pratiquem com sinceridade o amor e preocupem-se em amparar mais do que em julgar, condenar e destruir.
Deus limpe dos nossos corações toda hipocrisia, para que possamos amar e fazer o bem ao semelhante enquanto temos tempo para isso.
"...Tendo antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados."
(1Pedro 4.8 - ARA)
Sábado, Junho 06, 2009, 17:17
UM NOVO CÂNTICO
"Cantem ao SENHOR um novo cântico;
cantem ao SENHOR, todos os habitantes da terra!"
(Salmos 96.1 – NVI)
Cantem ao SENHOR um novo cântico.
Que seja um permanente cântico de AMOR. Uma canção que dá ao Criador a glória e a honra devida, não para cumprir uma imposição bíblica, mas para demonstrar um sentimento verdadeiro, que existe de fato e que é disposto a renunciar o tempo, a vontade, as posses, o próprio eu, simplesmente por amar Deus acima de tudo. Uma canção nova, que reconhece Deus por quem Ele é, e não somente pelo que Ele faz. Que expressa o amor por Deus e também pelo que Ele ama. Uma canção que demonstra tolerância e perdão, pois nenhum acontecimento justifica o ódio nem explica a amargura. Cantem ao SENHOR um novo cântico de amor.
Cantem ao SENHOR um novo cântico. Um cântico de pura ALEGRIA, demonstrando gratidão pelos feitos do SENHOR. Deixem aquele cântico de sempre, que reclama, murmura e até blasfema quando as dificuldades surgem. Mas cantem um cântico sincero em agradecimento pelas coisas que temos e que muitas outras pessoas precisam e não têm. Cantem também em agradecimento pelo que não temos, pois Deus sabe o quanto deixaríamos de aprender com Ele caso as tivéssemos. Cantem ao SENHOR um cântico que sai das profundezas da alma trazendo à tona a felicidade de ser um redimido em Jesus Cristo, de não estar mais condenado ao inferno, de já não ser escravo do diabo e do pecado, de ter a liberdade e a comunhão com o Eterno. A felicidade de poder escolher aprender com as circunstâncias e de ver os problemas como possibilidades para encontrar-se mais intimamente com Deus. Cantem ao SENHOR um novo cântico de alegria.
Cantem ao SENHOR um novo cântico. Um cântico de plena PAZ, a Paz que excede todo entendimento e que não pode ser, jamais, encontrada no mundo. Uma Paz que permanece em meio às mais atrozes adversidades, fazendo brotar o sincero louvor dos lábios e o reconhecimento da santidade e soberania, da perfeição e sabedoria de Deus. Uma Paz que emana da fé nAquele que tem o domínio do universo e o senhorio absoluto sobre toda a Criação. Que seja um cântico de Paz enquanto se espera, enquanto se guerreia, enquanto se dá. Que seja um cântico de Paz enquanto se perdoa, pois só assim é que se tem vida. Cantem ao SENHOR um novo cântico de paz.
Cantem ao SENHOR um novo cântico. Um cântico de PACIÊNCIA, aquela postura inteligente que assina todos os grandes projetos realizados na vida. Paciência é uma virtude que se aprende a produzir nas tribulações. Bem-aventurados são os que adquirem a paciência do SENHOR e por ela atravessam a vida sem perder de vista a vontade perfeita do Deus que lhes dirige os passos. Há grande recompensa em saber esperar, em ter auto-controle, em focalizar-se no futuro eterno. O zelo pelas coisas certas nos faz crescer espiritualmente, mas é a paciência que nos fará alcançá-las. Por tanto, cantem ao SENHOR um novo cântico de paciência.
Cantem ao SENHOR um novo cântico. Um cântico de AMABILIDADE, de benignidade. Ternura no falar, no fazer, no pensar, no ouvir, no ser. Um cântico que não provém de fontes escuras, partidárias, preconceituosas, mas um que expressa a alma pura, não perigosa nem maligna. Um cântico que ajude a erguer o caído, a fortalecer o cansado, a consolar o aflito. Um novo cântico, que demonstre um coração capaz de ouvir sem julgar, de se pôr na posição do outro para não condenar, de aconselhar sem maltratar. Um coração capaz de acolher em vez de desprezar, de auxiliar em vez de atrapalhar, de julgar não pela aparência, mas pela reta justiça. Um coração generoso, que trata a maldade nos outros com o mesmo amor e paciência com que Deus a trata em nós. Cantem ao SENHOR um novo cântico de amabilidade.
Cantem ao SENHOR um novo cântico. Um cântico de BONDADE, porque ninguém recebe mais do que aquele que se doa. A bondade é uma linguagem universal e ilimitada. Não se restringe às diferenças raciais, às limitações do físico, à distância entre os homens. Mesmo os surdos ouvem e os cegos lêem a linguagem da bondade, que contrapõe-se completamente ao próprio ego e inclina-se diretamente ao altruísmo. A exemplo de Cristo, ser bom para com todos é uma qualidade extraordinária que só os notáveis dentre os homens possuem. Esses tais não são notáveis porque tentam mudar o mundo, mas que, pela bondade de Deus em seus corações, mudam o mundo de muitos. Cantem, pois, ao SENHOR um novo cântico de bondade sem limites.
Cantem ao SENHOR um novo cântico. Um cântico de FIDELIDADE a Deus, aos homens e a si mesmo. Um cântico que fala da natureza renovada, leal e constante em sua postura de amar, servir e obedecer a Deus. Uma canção que fala do novo ser que procura cumprir o que promete e pratica o que anuncia, que merece respeito pela sua nova moral reformada nos moldes do caráter de Jesus Cristo. Cantem um novo cântico que expressa a segurança nas certezas irrevogáveis dos Céus e a disposição em permanecer firme no propósito de entrar nele. Cantem ao SENHOR um novo cântico de fidelidade.
Cantem ao SENHOR um novo cântico. Um cântico de MANSIDÃO, conscientes que nada pode ser vencido pela própria força, mas tudo pode ser destruído quando a arrogância e a brutalidade ganham espaço. Escolham não se irritarem, e em vez de revidar, abençoem; em vez de reclamar, louvem a Deus; em vez de exigir dos outros, conversem consigo mesmos. A serenidade é um dos destaques da pessoa de Cristo, e precisa ser contemplada na personalidade dos Seus seguidores, também. Por isso, cantem ao SENHOR um novo cântico de mansidão.
Cantem ao SENHOR um novo cântico. Um cântico de DOMÍNIO PRÓPRIO. A podridão do pecado e das paixões não pode contaminar a alma, que é eterna. As coisas deste mundo passam. Os tesouros deste mundo se degeneram com os anos. Os prazeres se vão tão logo cesse a vida aqui. Por que, então, permitir-se destruir? O auto-controle é um benefício dado por Deus aos homens para que vençam o mal que pretende fazê-los se auto-destruírem. Por causa do Calvário, somos livres para escolher vivermos com temperança. Cantem, então, ao SENHOR um novo cântico de domínio próprio.
Amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Eis a nova canção da vida de pessoas lavadas no Sangue de Jesus Cristo - aquelas que já morreram para o mundo e renasceram em Deus. Não estão isentas de desafinarem em muitos momentos da vida. Mas quando isso acontecer, têm humildade e ânimo suficientes para se dirigirem ao Divino Maestro e buscarem mais da Sua Divina Graça.
É assim que se aperfeiçoam e se preparam para, muito em breve, entrarem os portões celestiais entoando o canto dos salvos, a canção final do triunfo em Cristo, o hino de glória que nunca terá fim.
Sábado, Maio 23, 2009, 15:40

BEM ALÉM DOS USOS E COSTUMES
Usos e costumes. Eis aí o subterfúgio de quem quer praticar todo tipo de mundanismo dentro da igreja e não ser exortado à luz da Bíblia. Em nome da cultura do homem, a excelência da Palavra de Deus tem sido menosprezada. E o resultado dessa troca, é a superficialidade que assina a maioria das conversões de vida: mais palavras que atitudes, mais choro que transformação, mais exibicionismo do que entrega a Deus. Para não perder a suas tradições mais prazerosas, o homem está perdendo Deus de vista.
Antes de tudo queremos sobressaltar que não somos legalistas, e que entendemos plenamente que os usos e costumes de cada região e época devem ser considerados para a aplicação correta do Evangelho da Graça de Cristo. Afinal, estamos quase dois mil anos à frente do período histórico das cartas de Paulo, quatro mil anos longe de Abraão e mais de seis mil anos além de Adão. Muita coisa mudou de lá para cá em termos de realizações humanas, e tais mudanças não podem e nem devem ser ignoradas pela igreja que pretende ser um agente influenciador e transformador no mundo. A tecnologia dos nossos dias, a proximidade das nações via globalização, a velocidade da informação, as diferenças entre as raças. Nada disso precisa ser desconsiderado para que o Evangelho cumpra o Seu papel na terra, mas nenhuma dessas coisas também deve ter maior importância que a própria essência do Evangelho que é Jesus Cristo. Tampouco, nada disso deve ser justificativa para distorcer os princípios da Palavra de Deus, que são imutáveis (Tiago 1.17; Números 23.19; 1Coríntios 3.11).
Diante do exposto, precisamos entender que a Bíblia, quando foi escrita, não foi escrita para nós, nos dias de hoje. Não. Quando Pedro escreveu aos dispersos gálatas – entre outros – não estava pensando nos amigos de Brasília, do Rio Grande do Sul ou do Japão. Ele estava pensando nos cristãos dispersos que moravam na Galácia, no Ponto, na Capadócia, Ásia e Bitínia. Quando Paulo escreveu a Timóteo, não estava pensando em mim, nem no pastor da minha igreja. Estava escrevendo para Timóteo. Quando escreveu aos romanos, estava escrevendo para os cristãos que moravam em Roma.
Naturalmente que as verdades espirituais que foram escritas para eles servem para nós hoje, porém, temos que ter em mente que os tempos mudaram. Por exemplo: a roupa era um estilo naquele tempo, e hoje é completamente diferente. O cabelo era usado de um jeito, e hoje é de outro. Naquele tempo não havia gravata, e hoje a usamos. Antigamente a roupa era túnica, mas hoje seria engraçado se nós chegássemos em nosso trabalho trajando uma túnica. Então, há coisas periféricas de usos, de cultura, de costumes que mudaram. Porém, os princípios são eternos e não mudam nunca: matar sempre foi errado, roubar sempre foi errado. A veracidade, o respeito pela vida, são princípios eternos. A consagração do corpo e a santificação do espírito continuam sendo requisitos para que o homem entre na eternidade com Deus (1Coríntios 6.19-20; Hebreus 12.14).
Os detalhes mudam, mas os princípios permanecem.
Contudo, o que vemos em nosso tempo é o exagero com que se define a palavra "liberdade" e a facilidade com que lha transformam em "libertinagem" em nome dos usos e costumes. Nunca a mensagem de 2Coríntios 3.17 foi tão distorcida!
A Bíblia ensina que "o Senhor é Espírito; e onde o Espírito do Senhor está, aí há liberdade" (2Coríntios 3.17 – ACF). Mas não se trata aqui da liberdade para que uma mulher (ou mesmo um homem) vista uma roupa sensual e exiba seu corpo como um objeto de culto, ainda que considerando o respeito de Deus ao seu livre-arbítrio. A liberdade que o Senhor nos garante é, sim, aquela que permite à pessoa escolher não ser sensual, lasciva, vulgar e insinuante, e em vez disso, escolher ser moderada, vestindo-se com sobriedade e sem exageros, não para inflamar os desejos do sexo oposto, mas para agradar seus esposos e/ou o seu Deus. Para o mundo, escravizado no pecado, a única alternativa para os homens enquanto perdidos que são, é pecar. Eles não podem escolher serem honestos, descentes, irrepreensíveis diante de Deus. Mas os cristãos achados por Cristo Jesus e verdadeiramente libertos pelo Seu Sangue sim!
"A beleza de vocês não deve estar nos enfeites exteriores, como cabelos trançados e jóias de ouro ou roupas finas. Ao contrário, esteja no seu interior, que não perece, beleza demonstrada num espírito dócil e tranquilo, o que é de grande valor para Deus. Pois era assim que também costumavam adornar-se as santas mulheres do passado, que colocavam sua esperança em Deus." (1Pedro 3.3-5 – NVI)
O Pr. Antonio Gilberto nos lembra que, quanto aos usos, práticas e costumes, "esses... quando bons, devem ser o efeito da santificação, e não a causa dela” (1). E a Bíblia é quem afirma que temperança é fruto do Espírito Santo (Gálatas 5.22). Pessoas verdadeiramente cheias do Espírito Santo são comedidas, moderadas, sóbrias. Guardam temor a Deus e guardam seus corpos com total respeito ao Deus que habita neles:
"Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo." (1Coríntios 6.19-20 – NVI)
"Vocês não são de si mesmos."
Essa afirmação tem um peso de responsabilidade muito grande para nós e uma profunda verdade da qual a humanidade, em geral, tem escolhido passar bem longe. Ora, se não somos de nós mesmos, se somos um santuário que pertence a Deus, então não podemos fazer qualquer coisa com o corpo que é de Deus. Se a casa pertence a outra pessoa, que autoridade ou, antes, que direito temos de abrir vãos nas suas paredes, de derrubar seus muros e colocar grades, de fazer pomares no lugar dos jardins? Se não nos é dado esse direito em relação à casa física de outra pessoa, ainda menos podemos fazer o que quisermos com a casa que pertence a Deus, a saber, o nosso corpo, o templo do Espírito Santo.
No livro de Ezequiel, o SENHOR Deus faz menção das ações vergonhosas de Jerusalém, que firmava alianças políticas e comerciais com outros povos, as quais sempre traziam consigo um componente religioso e levavam esse povo espontaneamente a adorar outros deuses. O SENHOR faz uma comparação da cidade com uma prostituta, e menciona Sua visão do corpo – sem distinção de sexo – sendo exposto de maneira vil, sedutora, carnal, denotando assim Sua repulsa:
"No começo de cada rua você construiu seus santuários elevados e deturpou sua beleza, oferecendo seu corpo com promiscuidade cada vez maior a qualquer um que passasse. Você se prostituiu com os egípcios, os seus vizinhos cobiçosos, e provocou a Minha ira com sua promiscuidade cada vez maior." (Ezequiel 16.25-26 – NVI)
Deus fez uma alegoria à Jerusalém infiel, que deixou a adoração sincera e trocou o SENHOR pelos deuses estranhos. Mas Suas palavras, ainda que simbolicamente, expressam que o SENHOR reprova o ofertar do corpo como beleza a ser vista. Fosse o contrário, Deus faria comparação com outra coisa que não merecesse censura. Mas Ele deixa claro que reprova o nosso corpo sendo oferecido como um manequim de exposição da moda, como uma expressão da nossa vaidade, ou ainda como uma casa para prostituição, pois seu fim primeiro é ser um santuário onde o SENHOR tenha prazer de habitar. Não deve, portanto, ser adornado como se fosse uma escultura a que todos devem contemplar e desejar, mas deve ser cuidado de forma responsável e muito descente, na certeza que "se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; pois o santuário de Deus, que são vocês, é sagrado" (1Coríntios 3.17 – NVI). Nenhum de nós deve desejar ser o dono do nosso corpo mais do que o Espírito Santo, a quem, de fato, ele pertence. E nossos usos e costumes não podem nos induzir a queremos praticar o contrário.
Em nome dos usos e costumes, vemos uma permissividade horrenda acontecendo dentro da igreja, desfigurando completamente a imagem da santidade requerida pela Bíblia. Os permissivistas chamam a todo tipo de mundanismo de "cultura", e inserem o apoio a tais práticas nas suas mensagens (Mateus 24.11; 1Timóteo 4.1-2; 2Tessalonicenses 2.2-3), formulando heresias e ensinando um "outro evangelho" ao povo (Gálatas 1.1-9). E pela facilidade de se seguir esse evangelho mundanizado, somas de multidões são os números que seguem pelo largo caminho proposto por esses libertinos religiosos (Mateus 7.13-14).
Contudo, a doutrina bíblica é que santifica o crente, mediante a Palavra de Deus (1Timóteo 4.4-5). Jesus disse; “Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade” (João 17.17). O ensino da Palavra de Deus, das doutrinas bíblicas, é um os meio para levar o crente a uma vida reta, assim como escreveu o salmista: “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a Tua Palavra”(Salmos 119.9). John Henry Jowett disse: “Você não pode abandonar os grandes temas doutrinários e ainda assim produzir grandes santos” (2), e, nessa mesma linha, o Pr. A. W. Tozer escreveu: “O propósito que está por trás de toda doutrina é garantir a ação moral” (3). E Agostinho arremata a afirmativa que a doutrina bíblica deve prevalecer à vontade que satisfaz nossa carne e o nosso ego, observando que "se você crê somente no que gosta do evangelho e rejeita o que não gosta, não é no evangelho que você crê, mas, sim, em si mesmo"(4). Por isso é bom lembrar que a doutrina bíblica produz, naturalmente, bons costumes.
A Bíblia, Palavra Santa e Viva de Deus, sendo um livro de princípios, registra coisas que agradam a Deus e que não agradam; ensina o que é bom e o que é ruim para os filhos de Deus; ensina o caminho do Céu e o do inferno. Escolher por onde seguir é uma decisão somente nossa (Deuteronômio 30.19), mas devemos sempre ser conscientes que toda ação que tivermos nesta vida terá uma consequência (Provérbios 12.14; Salmos 62.12). A Palavra de Deus contém princípios pelos quais o SENHOR controla todo o nosso viver. Nas palavras do Pr. Ciro Zibordi Sanches, "os princípios, diferentemente dos mandamentos, são gerais. Não há especificidade neles, mas por meio deles sabemos se a tatuagem, por exemplo, combina ou não com a vida cristã." (5)
Ser cristão implica renúncia ao “eu”, à própria vontade:
"Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me." (Mateus 16.24 – ARF)
Quem segue a Cristo deve ou não abandonar efemeridades como roupas sensuais, maquilagens pesadas, tatuagens, piercings, penteados extravagantes, músicas profanas, vídeos e imagens imorais?
Além desse princípio, a vida cristã também implica não amar o mundo nem o que nele há, tampouco conformar-se com a sua filosofia (1João 2.15). E “mundo” aqui denota “o modo de viver das pessoas ímpias” ou “o sistema dominado por Satanás” e que já está condenado (1Coríntios 11.32; 1João 2.17). "Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo está sob o poder do maligno" (1João 5.19 - NVI).
Ainda que seja a cultura dos nossos tempos, a prática sexual antes do casamento é ilícita à luz da Bíblia (1Coríntios 7.9). A fim de prevenir contra a imoralidade sexual, Deus ordenou o sagrado relacionamento do matrimônio (Hebreus 13.4). Tenho lido, porém, artigo de pastores "modernos", que apóiam tal costume, mesmo conhecendo que em Apocalipse 21.8 há previsão de pena eterna "aos impuros" (fornicadores) que não se arrependeram das suas práticas reprováveis diante do SENHOR.
O homossexualismo, prática abominável à vista de Deus (Romanos 1.26-27), também tem ganhado seu espaço em dias de sociedade inclusiva, e também no meio evangélico. E não só há uma aceitação parcial dos cristãos, como também há homossexuais intitulados pastores (pastores?) que, além de não buscarem para si a redenção em Cristo Jesus, ainda dirigem outras vidas pelo mesmo caminho da sua promiscuidade. Atropelam e ignoram as palavras de Paulo aos coríntios, que adverte severamente: "Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoolatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus." (1Coríntios 6.9-10 – NVI)
Leiamos o que a Palavra de Deus adverte aos homens que pensam que o Evangelho deva ser adaptado aos interesses e às paixões dos homens:
"Não amem o mundo, nem as coisas que há nele. Se vocês amam o mundo, não amam a Deus, o Pai. Nada que é deste mundo vem do Pai: os maus desejos da natureza humana, a vontade de ter o que agrada aos olhos e o orgulho pelas coisas da vida, tudo isso não vem do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, com tudo aquilo que as pessoas cobiçam; porém aquele que faz a vontade Deus vive para sempre." (1João 2.15-17 – NTLH)
Este é apenas um dos tantos exemplos de modo ímpio de vida que têm seduzido muitos cristãos. Que o SENHOR abra os seus olhos enquanto ainda há tempo, para que "não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz." (Efésios 5.11 - NVI)
Há outro princípio bíblico, que expressa claramente que, embora tenhamos livre-arbítrio, todas as coisas são permitidas, mas nem tudo convém e nem tudo edifica (1Coríntios 6.12 e 10.23). Nesse caso, tudo deve ser examinado devidamente à luz da Bíblia e verificado se fere ou não os princípios bíblicos, uma vez que nós podemos mas não devemos usar roupas que expõem o nosso corpo, e da mesma forma podemos mas não devemos usar piercings, podemos mas não devemos fazer tatuagem, podemos mas não devemos pesar o tom da maquilagem, podemos mas não devemos abusar nas qualidades e quantidades de adornos, podemos mas não devemos tosquiar nossos cabelos, podemos mas não devemos vestir roupas do sexo oposto, podemos mas não devemos assistir filmes ou ler revistas pornográficas, podemos mas não devemos fazer sexo antes do casamento, ouvir ou compor músicas que não têm ligação com a adoração a Deus, podemos mas não devemos frequentar praias de nudismo ou juntamente com pessoas que maliciosamente possam observar e desejar o nosso corpo, podemos mas não devemos frequentar lugares badalados da cidade, podemos mas não devemos comprar CDs e DVDs pirada, podemos mas não devemos reproduzir obras literárias sem expressa autorização do autor, etc, etc, etc. Ainda nas palavras de A. W. Tozer, "santos sem santidade são a tragédia do cristianismo." (6)
A Bíblia também nos ensina que tudo o que fazemos deve glorificar a Deus (1Coríntios 10.31). Como pretendemos fazer isso expondo nosso corpo de forma a chamar toda a atenção para nós mesmos? Vamos confrontar esse comportamento com o princípio contido em Filipenses 4.8, de que devemos atentar para o que é de boa fama. Tatuagens têm boa procedência? Piercings estão associados aos grandes nomes da Bíblia ou aos grandes homens do resto da humanidade? Roupas decotadas, que expõem as curvas do corpo ou lhes deixam à mostra condizem com santidade ou com imoralidade? Músicas criadas com o propósito de expor sentimentos de fúria, desejos carnais, ou mesmo um amor alucinado por outra pessoa têm origem em Deus? Livros, textos e imagens que contradizem o comportamento moral são, acaso, respeitados por todos (ou, pelo menos, pela maioria)? Esportes violentos ou que incitam violência podem trazer a Paz de Cristo aos espíritos? Podem contribuir para a unidade do corpo de Cristo? Podem garantir simpatia entre os irmãos? Observando apenas estes dentre alguns princípios bíblicos, não temos dúvidas que tais práticas não combinam com a vida cristã autêntica, ainda que não haja um mandamento específico e expresso condenando-as.
Mas há, ainda, um princípio bíblico contido em 1Tessalonicenses 5.22, que mostra que devemos evitar também a aparência do mal. E existem pecados e embaraços, como vemos em Hebreus 12.1. E estes podem se tornar piores do que pecados expressos mediante mandamentos.
Martinho Lutero sabiamente observou que "qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias" (7). Isso não é religiosidade, mas vigilância e temor aos princípios bíblicos, pois existe uma diferença entre o santo e o profano, "entre o justo e ímpio, entre os que servem a Deus e os que não servem" (Malaquias 3.18 - NVI). Músicas, amizades, ambientes, roupas, linguajar, lazer, etc. não são apenas uma questão de usos e costumes, mas de respeito à santidade de Deus. Nossos usos e costumes nos permitem selecionar músicas que exaltam a Deus e edificam nossas almas, em vez de gastar nosso tempo e ouvidos com coisas que não edificam, mas nos tornam rebeldes no mundo. Nossos usos e costumes nos permitem usar roupas decentes, que guardam o templo do Espírito Santo com modéstia e vergonha. Eles também nos permitem escolher palavras doces e educadas para conversar, em vez de adotar um vocabulário chulo, desrespeitável e cheio de termos desconhecidos e tanto quanto ofensivos. Os usos e costumes possuem um lado exagerado, extravagante, libertino. Mas, por outro lado, também permite-nos optar por lazeres e ambientes que não nos façam disponibilizar brechas que o diabo espera para penetrar e trabalhar em nossas vidas, desvirtuando nossa fé.
Há que se afirmar ser, verdadeiramente, erro terrível da parte daqueles que excluem pessoas diferentes, permitindo a altivez dos seus espíritos sobressair ao valor do próximo. Deus não quer que sejamos assim. Contudo, Deus também não quer que nos igualemos a eles para que possamos ganhá-los. Espera o Senhor que possamos influenciá-los pelo nosso testemunho, conscientes, porém, que a mudança seja produzida pelo Espírito Santo de Deus e não por nós. Paulo não praticou os erros dos fracos se fazendo de fraco, nem se tornou judeu para ganhar os judeus, tampouco deixou a lei para ganhar os sem lei (1Coríntios 9.19-22), mas ele ganhou almas para Cristo fazendo da sua vida um exemplo para o mundo (1Timóteo 4.7; Filipenses 4.4) e falando de maneira clara, pregando sem rodeios e sem discriminação; disponibilizando-se a ouvir sem condenar, colocando-se no lugar do outro para tentar sentir o que ele sentia, e aconselhando com a mesma linguagem sem, jamais, distorcer as Escrituras:
"Porque, embora seja livre de todos, fiz-me escravo de todos, para ganhar o maior número possível de pessoas. Tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus para os que estão debaixo da Lei, tornei-me como se estivesse sujeito à Lei (embora eu mesmo não esteja debaixo da Lei), a fim de ganhar os que estão debaixo da Lei. Para os que estão sem lei, tornei-me como sem lei (embora não esteja livre da lei de Deus, e sim sob a lei de Cristo), a fim de ganhar os que não têm a Lei. Para com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns." (1Coríntios 9.19-22 – NVI)
Esse também tem sido um trecho bíblico base para justificar essa mundanização geral da igreja. Para ganhar as pessoas para Cristo, Paulo seguia alguns costumes que nada tinham a ver com as doutrinas da fé cristã, penetrando assim o mundo das pessoas e fazendo a diferença para que elas percebem nele o Espírito de Deus. Mas para ganhar um número cada vez maior de membros, a igreja tem apoiado costumes mundanos que ferem a sã doutrina. Contudo, ao contrário do que os permissivistas sustentam com essa passagem, Paulo, momentaneamente, se fez "como" e não decididamente "igualou-se" para ganhar aqueles que precisavam deixar as trevas e vir para a luz.
Fosse para haver misturas, Deus não teria dito ao Seu povo: "Retirai-vos, retirai-vos, saí daí, não toqueis coisa imunda; saí do meio dela, purificai-vos, os que levais os vasos do Senhor" (Isaías 52.11 - ARF; Jeremias 51.45; Apocalipse 18.4).
Jesus mesmo advertiu aos Seus discípulos: "Vigiem e orem, para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mateus 26.41 - NVI), pois nosso Senhor bem sabe que aquilo que pode nos fazer pecar, misturar e perder da direção de Deus, deve ser totalmente renunciado (Lucas 9.23). Isso é cruz: RE-NUN-CI-AR, mesmo aquilo que nos satisfaz; sujeitar-se às críticas impiedosas do mundo e, até, de muitos irmãos na fé, para que não pequemos contra nosso Senhor e sejamos por Ele aprovados, agradáveis, sem nada a nos envergonhar, "porque Deus nos escolheu nEle antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em Sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da Sua vontade, para o louvor da Sua gloriosa Graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado." (Efésios 1.4-6 - NVI).
Facilitar o Evangelho e querer adequá-Lo para o mundo é a maneira mais sutil que o diabo inventou para levar muitos crentes para o inferno. Lembremo-nos e exerçamos, em todo tempo, as palavras do apóstolo Paulo, a nos alertar: "Por estarem unidos com Cristo, vocês foram circuncidados não com a circuncisão que é feita no corpo, mas com a circuncisão feita por Cristo, pela qual somos libertados do poder da natureza pecadora." (Colossenses 2.11 – NTLH)
Deus nos ajude a sermos sempre sal e luz, "puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada" brilhando "como estrelas no universo, retendo firmemente a palavra da vida" (Filipenses 2.15-16 – NVI), fazendo a diferença no mundo enquanto estamos no mundo, mas sem nos misturarmos com ele.
Amém.
_________________
(1) GILBERTO, Antonio. Verdades Pentecostais. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 142.
(2) Appud REACHERS, Sammis. Sabedoria: breve manual do usuário. (E-Book) P. 100. Disponível em Sabedoria - Breve Manual do Usuário. Acesso em 23/05/2009.
(3) TOZER, A. W. O melhor de A. W. Tozer. 2007. São Paulo: Mundo Cristão, P. 69.
(4) Appud MARÇAL, Luan. Disponível em Doutrina e Teologia. Acesso em 23/05/2009.
(5) ZIBORDI, Ciro Sanches. É pecado fazer tatuagem? In Pastor Ciro Responde. Acesso em 14/05/2009.
(6) Appud REACHERS. Op. Cit. P. 29.
(7) Appud MARÇAL. Op. Cit.
Terça-feira, Abril 28, 2009, 05:36
FIÉIS DESPENSEIROS
O encarregado da despensa, onde se guardam mantimentos, é o despenseiro.
Um despenseiro é um serviçal que tem contato direto com seu senhor e dele contraiu tal confiança, a ponto de o mesmo lhe confiar a chave de sua casa e dos seus celeiros, onde está guardada toda a provisão que garantirá o suprimento da família durante o ano inteiro. É o administrador dos recursos da família, designado para manter a ordem e o abastecimento da despensa e da casa, como um todo, sempre em dia. Dessa forma, ele, o despenseiro, se torna uma espécie de "distribuidor dos mantimentos".
Na Bíblia, lemos essa palavra associada à responsabilidade que a Igreja tem de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo. Leiamos a passagem de 1Coríntios 4.1-2 em versões diferentes:
"Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel." (ARC)
"Portanto, que todos nos considerem como servos de Cristo e encarregados dos mistérios de Deus. O que se requer destes encarregados é que sejam fiéis." (NVI)
"Vocês nos devem tratar como servidores de Cristo, que foram encarregados de administrar a realização dos planos secretos de Deus. O que se exige de quem tem essa responsabilidade é que seja fiel ao seu Senhor." (NTLH)
Em qualquer das traduções devemos perceber que o Evangelho é propriedade única e exclusiva de Jesus Cristo, que lho entregou a nós. Enquanto servos do SENHOR, somos apenas seus administradores, isto é, pessoas que, através dos dons que também receberam do SENHOR, agenciam a graça de Deus para que outros homens também sejam beneficiados por ela dentro da Igreja.
Aqui vemos a responsabilidade que recai sobre os filhos e filhas de Deus. Eles são mordomos, administradores, despenseiros da multiforme graça do SENHOR (1Pedro 4.10).
Com o dom que cada um de nós recebeu, devemos servir os outros, administrando fielmente essa graça de Deus em Suas mais variadas formas.
"Cada um exerça o dom que recebeu para aos outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas. Se alguém fala, faça-o como quem transmite a Palavra de Deus. Se alguém serve, faça-o com a força que Deus provê, de forma que em todas as coisas Deus seja glorificado mediante Jesus Cristo, a quem sejam a glória e o poder para todo o sempre. Amém." (1Pedro 4.10-11)
Infelizmente, muitos líderes e membros se apossam dos dons espirituais que Cristo lhes concede e os utiliza de forma inadequada, corrompida, para seu próprio ganho pessoal e não para a glória de Deus. Também se apoderam do Evangelho de Cristo e desvirtuam Sua mensagem centrada no sacrifício crucial do Filho de Deus e passam a pregá-la com base na supervalorização do homem. Por causa dessa perda de identidade genuinamente cristocêntrica, freqüentemente tomamos conhecimento da forma irresponsável e herética que muitas congregações e até denominações inteiras estão sendo conduzidas por homens:
"Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos." (2Timóteo 4.3-4)
São o inverso da maneira como Paulo declara o seu ministério à Igreja de Tessalônica, com registro de palavras e de obras:
"Apesar de termos sido maltratados e insultados em Filipos, como vocês sabem, com a ajuda de nosso Deus tivemos coragem de anunciar-lhes o Evangelho de Deus, em meio a muita luta. Pois nossa exortação não tem origem no erro nem em motivos impuros, nem temos intenção de enganá-los; ao contrário, como homens aprovados por Deus para nos confiar o Evangelho, não falamos para agradar pessoas, mas a Deus, que prova o nosso coração. Vocês bem sabem que a nossa palavra nunca foi de bajulação nem de pretexto para ganância; Deus é testemunha. Nem buscamos reconhecimento humano, quer de vocês quer de outros." (1Tesslonicenses 2.2-6 – Grifo nosso.)
É importante destacar que a Igreja não possui um dono se não Jesus Cristo. Os verdadeiros dons espirituais não provêm de outra fonte senão do SENHOR. Portanto, o Evangelho não deve ser adaptado aos padrões comportamentais naturalmente pecadores dos homens porque estes é que estão a serviço do Evangelho de Cristo, e não o contrário. (1Coríntios 3.21-23)
Enquanto despenseiros da salvação de Deus, devemos ser inclinados a praticar o bem e viver de maneira honesta, justa, irrepreensível, buscando unicamente a aprovação de Deus, a fim de semearmos a graça de Cristo pelo mundo e, ao mesmo tempo, contribuirmos para o aperfeiçoamento, isto é, a edificação da Igreja.
"Também agradecemos a Deus sem cessar o fato de que, ao receberem de nossa parte a Palavra de Deus, vocês a aceitaram, não como palavra de homens, mas conforme ela verdadeiramente é, como Palavra de Deus, que atua com eficácia em vocês, os que crêem." (1Tessalonicenses 2.13 – Grifo nosso.)
Observe que a pregação do Evangelho "atua com eficácia EM VOCÊS", e não "para vocês". A Graça de Deus, que nós não merecemos, nos dá a oportunidade e as condições para deixarmos o pecado e vivermos em santidade. A Palavra de Deus, que nos chega pela Graça de Deus, é o meio de transformação do homem pecador em nova criação (1Coríntios 5.17; Gálatas 2.20), e não um meio de prover as realizações dos desejos humanos espontaneamente voltados para o pecado e para a insubmissão a Deus. Mas essa Graça tem sido negociada e, de forma banalizada, empregada a mudar a glória soberana do Deus Altíssimo para a glória de um Deus comum, reverente até, e um tanto quanto desesperado. Um outro "deus "bonzinho" (2Coríntios 11.4), disposto a realizar todos os nossos desejos e obrigado a satisfazer todas as nossas imposições.
Mas Deus não é um "deus bonzinho". Ele é Bom (Salmos 118.1; 136.1; Marcos 10.17-18). E por ser Bom, é que Ele dá ao homem o que este necessita, e não o que cobiça. Por ser Bom é que Deus faz tudo perfeito e não realiza nossos caprichos egoístas, materialistas e temporais. Em vez disso, Ele provê voluntariamente o que precisamos, e nos ensina a vivermos priorizando os bens eternos, incorruptíveis e impagáveis, sem os quais não podemos manter comunhão com Ele (Hebreus 12.14; João 3.3,7).
Despenseiros fiéis, como a Bíblia ensina que devemos ser, não podem se esquecer nem se afastar dessa ordem de valores: Primeiro e impreterivelmente, o que é espiritual, o que é santo. O que segue a isso, é conseqüência do bom andamento dessa nossa intimidade com o Pai Celeste:
"Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e Ele lhes dará todas essas coisas." (Mateus 6.33 – NTLH)
Veja: primeiro o Reino de Deus, que "não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo" (Romanos 14.17); e a Sua justiça, a oportunidade que temos para começar uma vida nova em Cristo e assim sermos religados a Deus, nosso Criador, pois "Ele [Jesus] foi entregue à morte por nossos pecados e ressuscitado para a nossa justificação" (Romanos 4.25).
Dependendo de como é vivida essa vida aqui neste mundo, realmente ela é muito satisfatória para as nossas ambições, agradável e até realizadora. Mas os despenseiros de Deus nunca devem se esquecer que o alvo das suas vidas é o caráter, e não o conforto. Devem, sim, ser capazes de, mesmo em meio ao sofrimento, distribuir a Graça como ela realmente é: melhor que a vida (Salmos 63.3), porque:
Na vida, a morte é o fim. Na Graça, a morte é o começo.
Na vida, o maior devora os menores. Na Graça, o Maior salvou os menores.
A vida é incerta, mesmo com toda a sabedoria humana. A Graça traz certezas irrevogáveis, que provêm da Sabedoria Divina.
A vida castiga os erros e deixa sérias conseqüências. A Graça perdoa os erros e faz das conseqüências preciosas lições para o crescimento espiritual.
Na vida, fazemos tudo o que queremos. Na Graça, fazemos tudo o que é certo.
Na vida, fazemos justiça com as próprias mãos. Na Graça, a justiça provém das perfeitas mãos de Deus.
A vida é curta. A Graça é eterna.
Na vida temos amigos. A Graça dá-nos irmãos.
A vida é um amontoado de dúvidas. A Graça é a solução.
A vida se perde na escuridão. A Graça dissipa as trevas com a luz de Cristo.
A vida questiona. A Graça responde.
A vida acontece no mundo. A Graça nos tira do mundo.
A vida é vencida pela morte. A Graça vence a morte.
A vida dá prazer. A Graça dá salvação.
Por isso, o conselho de Pedro "aos peregrinos" (1Pedro 1.1) deste mundo é: "...esperai inteiramente na Graça que se vos oferece na revelação de Jesus Cristo." (1Pedro 1.13 – ARA – Grifo nosso.)
Temos essa responsabilidade de guardar a Graça como ela é e reparti-la com nossos irmãos em Cristo e com o mundo sem nenhuma alteração.
"Cada um exerça o dom que recebeu para aos outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas." (1Pedro 4.1)
"Cada um", não "alguns"."Cada "eleito" (1Pedro 1.1), isto é, a Igreja como um todo, não somente os oficiais devem ser despenseiros do SENHOR, pois todos fomos capacitados para exercermos algum dom na Igreja de Cristo (Romanos 12.6). Portanto, as atividades do Reino não devem se concentrar em algumas pessoas, mas todos os membros do corpo devem se empenhar para que ele cresça, e de forma saudável.
"...exerça o dom que recebeu". "Dom", do grego Charisma, de Charis, que é "Graça". Graça que nada mais é do que favores que recebemos sem merecer e que, de graça também devemos repartir (Mateus 10.8).
"...para os outros". Os dons de Deus não devem ser usados egoisticamente para engrandecimento pessoal, mas para melhor servir ao crescimento do corpo de Cristo. (1Coríntios 14.12)
"...administrando fielmente a Graça de Deus..." O despenseiro é alguém que mesmo não sendo o dono, tem acesso aos seus recursos, para dispor deles, segundo a vontade do proprietário. Em saber que não somos donos mas apenas mordomos, administradores, despenseiros, agimos de forma responsável, fiel, cuidadosa (Lucas 12.42), pois mantemos viva a certeza que prestaremos contas ao "Dono da Casa" quando Ele voltar (Mateus 25:14-30, Lucas 19:19-28).
"...a Graça de Deus em suas múltiplas formas." Muitos filhos de Deus pensam não ter nenhum dom. Mas na verdade não é que não possuem e sim que ainda não reconheceram a capacidade espiritual ou natural que Deus já lhes concedeu, pois "existem tipos diferentes de dons espirituais, mas é um só e o mesmo Espírito Quem dá esses dons. Existem maneiras diferentes de servir, mas o SENHOR que servimos é o mesmo. Há diferentes habilidades para realizar o trabalho, mas é o mesmo Deus Quem dá a cada um a habilidade para fazê-lo." (1Coríntios 12.4-6 - NTLH).
O bom despenseiro esforça-se por manter a sua despensa sempre bem provida e variada. Ele busca de Deus os recursos para abastecerem seu espírito e servir o Evangelho à sua família, procurando não enojá-la, não causar-lhe indigestão espiritual, não promover uma intoxicação nas almas. Como bem escreveu John Stott, "assim é o despenseiro dos "mistérios de Deus": fiel no estudo e pregação da Palavra, e fiel em deixar que os homens sintam nela e através dela a autoridade de Deus; fiel ao pai de família, que nomeou para o cargo; fiel à família que depende dele para seu sustento; fiel aos bens que foram confiados ao seu cuidado."(*)
Que o SENHOR, nosso Deus, nos ajude a compartilharmos Sua Verdade, Sua Palavra, Seus dons, "de forma que em todas as coisas Deus seja glorificado mediante Jesus Cristo, a quem sejam a glória e o poder para todo o sempre. Amém." (1Pedro 4.10-11)
Que Ele mesmo nos ajude a sermos bons, fiéis despenseiros da Sua maravilhosa Graça, pois se não somos dignos de confiança em relação ao que é dos outros, quem nos dará o que é nosso? (Lucas 16.12)
A saber: nossa é a Glória, por herança (Romanos 8.17).
Que jamais percamos isso de vista.
Amém.
(**)
____________
(*) STOTT, John. O Perfil do pregador. São Paulo: Sepal, 1989, p.40.
(**) Salvas as citações devidamente identificadas, todos os versos bíblicos desta composição foram extraídos da Bíblia na Nova Versão Internacional (NVI).
Domingo, Abril 12, 2009, 14:58
TESOUROS EM VASOS DE BARRO
Vez em quando leio ou ouço pessoas fazendo prevalecer a honra de um vaso de barro sobre os demais tipos de vaso, com o principal argumento que o vaso de barro pode ser refeito, enquanto aqueles feitos de outros materiais não.
Numa análise mais ampla da Bíblia e numa abordagem ilustrativa, leremos que os metais têm serventia para Deus e na Sua própria fala o SENHOR anuncia que refinará o Seu povo "como prata" e "como ouro" (Zacarias 13.9; Malaquias 3.3). Lemos também que o altar do incenso era feito de madeira, assim como os varais, as colunas e a mesa, entre outros objetos do Tabernáculo (Êxodo 25 a seguir), pelo que constatamos que a madeira também tem grande utilidade na Casa de Deus.
"Numa grande casa há vasos não apenas de outro e prata, mas também de madeira e barro; alguns para fins honrosos, outros para fins desonrosos." (2Timóteo 2.20)
Se o vaso causa desonra, ele será retomado por Deus e refeito. E não precisamos fazer muito esforço para compreendermos que vasos de bronze, prata, ouro, madeira, plástico, vidro, ou qualquer outro material, possa ser refeito sim(!). "Não é a Minha palavra como o fogo – pergunta o SENHOR – e como um martelo que despedaça – a rocha?" (Jeremias 23.29). Pois bem: madeira, plástico e vidro podem ser perfeitamente triturados e reciclados; alumínio, cobre, ferro, bronze, ouro, prata, se submetidos a altas temperaturas, fundem-se e podem ser remodelados como o artesão bem quiser.
O problema não é o material de que é feito o vaso – até porque Deus não formou um exército de robôs, mas de seres humanos, diferentes entre si mas com o mesmo propósito de glorificar ao SENHOR em toda a sua maneira de ser. O problema está no comportamento do vaso, que muitas vezes se permite ser um instrumento que desonra a santidade do nome do Senhor. Contudo, "se alguém se purificar dessas coisas, será vaso para honra, santificado, útil para o SENHOR e preparado para toda boa obra." (2Timóteo 2.21)
O apontamento bíblico sobre vaso de barro refere-se, principalmente, à humildade, à simplicidade e à fragilidade relativa a Deus com que se portam os verdadeiros adoradores do SENHOR.
O barro pode ser encontrado com facilidade na natureza, diferente do ouro e da boa madeira, por exemplo. Por isso mesmo ele é tão desprezado pelos homens. Essa ilustração do Reino é melhor esclarecida por Tiago:
"Não escolheu Deus os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos em fé e herdarem o Reino que Ele prometeu aos que O amam? Mas vocês têm desprezado o pobre. Não são os ricos que oprimem vocês? Não são eles os que os arrastam para os tribunais? Não são eles que difamam o bom nome que sobre vocês foi invocado?" (Tiago 2.5-7)
Há que se considerar:
(1) Assim como ao oleiro interessa o barro pelo qual ninguém dá nada, assim também para Deus interessa o pobre e desprezado, aquele que o mundo rejeita, nem tanto pelos seus poucos bens materiais, mas principalmente por causa da sua pequenez egocêntrica que permite ao tal homem seja um grande bem-aventurado diante do SENHOR (Mateus 5.3);
(2) O barro não exige tanto do oleiro para ser moldado, e assim também a simplicidade e a carência de pessoas pobres – pobres tanto de bens quanto de espírito – permitem maior liberdade para Deus trabalhar em (e através de) suas vidas (Oséia 12.7-9; 13.4-6; Lucas 18.9-14);
(3) Aquilo que os homens valorizam costuma ser as coisas mais difíceis de serem alcançadas. Deus, porém, permanece constante em nosso meio e impressiona por ser tão nobre e tão simples ao mesmo tempo. Jesus, sendo Deus e Rei sobre reis, Se fez simples, popular, acessível a todos os homens, e por isso mesmo foi desprezado por aqueles para quem Ele veio (João 1.11). Os homens esperavam o Filho de Deus como um cavaleiro de mais alta pompa, montado sobre um cavalo luxuosamente enfeitado, rodeado de cavalarias, soldados e carruagens blindadas, talvez. Mas o SENHOR desapontou mais essa expectativa humana e veio, de cara, não num berço de ouro, mas em uma vasilha para alimentar cavalos; não numa suíte real mas num estábulo fedendo cocô e xixi de vaca; não recebendo honras de um rei, mas calçando sandálias que não protegiam Seus pés das rachaduras e calos provocados pela aridez do deserto, vestindo panos grosseiros e caminhando no meio de multidões famintas, esfarrapadas, carentes de todo tipo de provisão.
Os homens valorizam o ouro das jazidas distantes e encobertas. Jesus valoriza o barro facilmente encontrado nos prostíbulos, nas bocas-de-fumo, nas penitenciárias e debaixo dos viadutos. Os homens buscam coisas difíceis que lhes preenchem os bolsos mas não a alma. Jesus, porém, é fácil de ser achado e suficiente para transformar toda uma história e salvar qualquer vida.
Há uma nobreza muito grande em ser barro para Deus. E Paulo nos fala sobre ela sob dois aspectos interessantes.
O primeiro, conta-nos que o vaso de barro geralmente é usado para servir, em contraste aos vasos de outros materiais, que geralmente são usados para enfeitar. Vamos voltar dois versos e ler:
"Mas não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o SENHOR, e a nós como escravos de vocês, por causa de Jesus. Pois Deus, que disse: 'Das trevas resplandeça a luz', Ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo." (2Coríntios 4.5,6)
O vaso está em plena atividade, vertendo água da vida sobre os sedentos, manifestando o poder do SENHOR e fazendo a luz de Cristo brilhar nas trevas, anunciando a Palavra de Deus (Isaías 6.1-4). Essa é a vida de um servo de Jesus: como o vaso cheio ele se permite servir pelo SENHOR onde estiver, quando for necessário, e o quanto for preciso.
Mais dois versículos à frente, e lemos sobre a realidade dos dias de um vaso de honra nas mãos do SENHOR:
"De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos." (2Coríntios 4.8,9)
Reforçando: estes vasos estão nas mãos do SENHOR, em plena atividade. Por isso, estão expostos ao desgaste, mas não ao aniquilamento (2Coríntios 4.16-18; Romanos 8.35-39).
O segundo e principal aspecto que levou Paulo a usar um vaso de barro para ilustrar a relação dos servos de Deus com o Seu poder fala sobre a humildade que, a exemplo de Cristo, deve fazer parte de toda personalidade, principalmente daquela que se chama cristã.
Vale à pena recitar o conhecido texto da carta de Paulo aos Filipenses, com o seguinte conselho:
"Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade,
mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos.
Cada um cuide, não somente dos seus interesses,
mas também dos interesses dos outros.
Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que,
embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus
era algo a que devia apegar-Se;
mas esvaziou-Se a Si mesmo,
vindo a ser servo, tornando-Se semelhante aos homens.
E sendo encontrado em forma humana,
humilhou-Se a Si mesmo
e foi obediente até a morte, e morte de cruz!"
(Filipenses 2.3-8)
Vasos de barro não chamam a atenção, nem de ladrões nem de pessoas comuns que passam por eles. Mas podem esconder em seu interior preciosidades que abençoam muita gente. Coisas como tesouros, jóias preciosas, por exemplo. E isso nos remete imediatamente ao comportamento que os servos de Deus devem guardar, não querendo glórias para si, tendo sempre em mente que o poder, a honra por causa do poder e a sabedoria para usá-lo vêm somente de Deus:
"Uma vez Deus falou, duas vezes eu ouvi, que o poder pertence a Deus." (Salmos 62.11)
"Não foram as Minhas mãos que fizeram todas essas coisas, e por isso vieram a existir?, pergunta o SENHOR." (Isaías 66.2)
"...Tudo vem de Ti, e nós apenas Te damos o que vem das Tuas mãos." (1Crônicas 29.14)
Os vasos somos nós. O tesouro é a glória de Deus e Seus recursos. Sem eles: (1) ou somos vasos vazios apenas; (2) ou somos vasos cheios de coisa sem valor; (3) ou somos vasos cheios de coisas valiosas que se deterioram com o tempo. "...Sem Mim vocês não podem fazer coisa alguma", disse Jesus (João 15.5), e isso encerra tudo.
A voz bonita, a eloqüência no falar, o talento para coordenar, a criatividade, os dons... nada disso produz efeito algum se o próprio SENHOR não for a essência e o fim de tudo:
"Tudo isso é para o bem de vocês, para que a graça, que está alcançando um número cada vez maior de pessoas, faça que transbordem as ações de graças para a glória de Deus." (2Coríntios 4.15)
Diante de todo o exposto, resta-nos lembrar que o barro não é resistente às mudanças e pode ser quebrado sem muito esforço. No Seu ofício, Deus escolheu esconder Sua glória em vasos que podem facilmente ser reparados ou refeitos ao se danificarem. Porque Dele somente é a glória, Deus não escolheu usar materiais que jamais perecem, mas um tipo de matéria sem resistência, que precisa sempre passar por uma revisão. O Seu poder é mais forte quando nós somos mais fracos (2Coríntios 12.9). E isso expõe claramente o prazer que o SENHOR tem em habitar e agir pela vida daquelas pessoas que estão sempre dispostas a Lhe dar atenção e recomeçar com Ele:
"Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é Santo: Habito num lugar alto e santo, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito humilde e novo alento ao coração do contrito." (Isaías 57.15)
Constante deve ser nossa rendição a Deus, para que os aplausos, o reconhecimento pelos feitos retornem sempre a Ele, que a tudo realiza através de Seus vasos, sejam eles de barro, de bronze, de madeira, de ouro, de porcelana, ou do que for.
Que sejam apenas vasos.
Que sejam vasos para a honra de Deus e o louvor da Sua glória.
E que o mundo beba da água contida em seu interior e se farte dos tesouros escondidos dentro de seus corações, sabendo que "isso vem do SENHOR, e é algo maravilhosos para nós." (Salmos 118.23)
Soli Deo Gloria!
______________
Todas as citações bíblicas desse texto foram retiradas da Bíblia na Nova Versão Internacional, salvas as referências devidamente identificadas.