Buscando Deus


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“No meu desespero, eu clamei ao Senhor e pedi que Ele me ajudasse. Do Seu templo no Céu o Senhor ouviu a minha voz, Ele escutou o meu grito de socorro. [...] Lá do alto, o Senhor me estendeu a mão e me segurou; Ele me tirou do mar profundo. [...] Me livrou do perigo e me salvou porque me ama.”
Salmos 18:6,16,19


Quando um sonho já tão próximo parece regredir a se distanciar de nós outra vez, quando a sensação de perda novamente arrebata a esperança do coração, e a inevitável dor de dias tristes ressuscita, parar tudo e concentrar-se em Deus faz nossa alma fria aquecer-se outra vez. Sua doce presença derrete a dureza do nosso coração incrédulo e inseguro, e reacende a pequena chama que nos permite olhar para o futuro com alguma perspectiva.

Quando estarmos no caminho e na velocidade certa incomoda, fazendo com que os cansados sentados à beira dele lancem pedras e troncos para obstaculizar a estrada, quando os que vêm em direção contrária exercem uma grande força na pretensão de nos fazer retroceder com eles, quando aqueles que não têm condições de acompanhar nossa velocidade vão ficando para trás e elaborem seus pareceres perversos a nosso respeito, e quando os que nem ainda deram conta de sair dos seus lugares na largada formam uma torcida para que fracassemos em nosso percurso, voltar pensamentos, emoções e sentimentos à presença do Senhor renova nossas forças e ilumina os passos seguintes, mantendo-nos firmes e constantes até o fim da corrida.

Quando o medo engessa nosso ser e nos impede de correr ao encontro da nossa felicidade, quando a fuga parece a saída mais viável diante das novas oportunidades que a vida nos propõe, quando surpresas transformadoras acontecem deliciosamente mas de certa forma nos assustam, buscar incondicionalmente a voz de Deus e seguir calma a e confiadamente sobre as vias que ela traça adiante de nós, preenche o vazio existencial, promove em nós coragem para abraçar os desafios, e nos aproxima da satisfação e felicidade que nenhum livro, emprego, diploma, reconhecimento ou qualquer outro meio poderia nos ofertar.

Quando a frustração de sentir-nos incapazes nos impede de dar mais um importante passo, quando a culpa – pelo que de fato é erro nosso e também pelo que aparenta ser um erro mas não é – espanca nosso coração  e oprime nossas melhores intenções, e quando as impressões acerca das circunstâncias nos espremem a ponto de nos fazer sentir-nos os menores de todos os seres, recorrer à face do Altíssimo revela-nos a expressão Daquele que segura firmemente nossas vidas na palma de Sua mão, e dá-nos segurança outra vez ao ouvirmos Dele: “Grande é o seu valor neste mundo, você tem um lugar importante na vida de alguém, e você também merece ser feliz.”

Parece tão pouco resolver tantos dilemas gigantescos apenas através do gesto simples de buscar Deus, não é? Mas é precisamente aqui que está todo o sentido da nossa existência: na presença do Senhor.

Deus sabe que a grande maioria dos mortais não tem fé suficiente para encontrá-Lo em grandes milagres, em eventos extraordinários. E, por isso mesmo – por causa da Sua imensa misericórdia e bondade – Ele Se manifesta em situações simples, e fala por meio de eventos comuns, quase despercebidos do nosso dia a dia, de forma que Deus torna-Se acessível a todos (Romanos 10:12-13) e pode ser encontrado à distância de uma simples e sincera oração (Jeremias 29.13).

Faz toda diferença olharmos para o céu, depois de ouvir Deus sussurrar em nossos corações. Já não será mais um manto azul infinito simbolizando a monotonia de nossos dias exaustos de batalhas, dúvidas, medos e dores. Mas, sim, a expressão do grande abraço do Senhor sempre presente, nos envolvendo em qualquer situação, hora ou lugar onde estivermos.

E já não será mais uma cortina de melancolia sobre as lágrimas que milham nossos travesseiros em muitas de nossas noites tristes. Mas, sim, os olhos expectantes dos anjos, que aguardam o momento de nos aplaudirem de pé, quando nós atendermos, confiantes e animosos, às direções e certezas que o Senhor já colocou em nossos corações.

E depois, numa manhã que certamente virá após essa noite, o céu trará o sol sobre nós.

17 de maio de 2013

Sagrada Instituição


Sagrada Instituição

“Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente os de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente.”
1Timóteo 5.8


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Uma família é um campo fértil, que produz a cem por um e abençoa a o mundo com seus frutos bons.

Uma família é um lago cristalino de águas límpidas e fecundas, capaz de abastecer comunidades inteiras.

Uma família, tal qual Deus criou, é a instituição mais sagrada já posta sobre a terra.

Deus a ama e cuida zelosamente porque Ele, mais do que ninguém, sabe que o curso de qualquer sociedade passa primeiramente pela família. No lar é que os filhos aprendem a trilhar pelo bom caminho e a semear boas sementes enquanto prosseguem por ele. 

Mas dependendo de como se porta a família, no lar também estará toda fonte de desgraça de um povo. Para que a sociedade seja um organismo saudável, a célula mater que é a família deve ser preservada. O equilíbrio da sociedade depende da saúde da família.

No aconchego do lar é que está o sustento para que os filhos possam superar as inevitáveis frustrações do processo de maturação e, neles – nos filhos – os pais possam retomar as forças e os motivos para irem mais além, de forma que nem pais nem filhos param diante da vida.

Tão graciosa e importante é a família, que a arte, a ciência, a política, a medicina, a literatura, a própria economia, e até o mundo da fantasia têm sido coroados com esse tema em muitos dos seus maiores discursos e obras.

Pesa em nossos corações a imagem de uma família desfigurada pelo pecado, desconjuntada pela falta de amor e respeito, descaracterizada do seu projeto original, onde homem deixa seu pai e sua mãe, e apega-se à sua mulher, para que sejam “ambos uma só carne” (Gênesis 2.24).

Entristece nossas almas essa violência que tem permeado o solo sagrado da família, e desvirtuado os caminhos dos filhos, a fé dos pais e os princípios mais preciosos do lar, pois, em comum acordo às palavras de Henri Lacordaire, “o que é uma família senão o mais admirável dos governos?”

E como Jesus é o mais admirável dos governantes, importa que Ele seja o Senhor das nossas famílias. É a história quem mostra: Um lar edificado sob a bênção de Deus torna-se o mais poderoso arsenal de guerra contra o reino das trevas.


11 de maio de 2013

Aprendendo a voar...


Aprendendo a voar...

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“Como a águia ensina os filhotes a voar e com as asas estendidas os pega quando estão caindo, assim o Senhor Deus cuida do Seu povo.”
Deuteronômios 32.11


Era um lugar tranquilo, um ninho aconchegante, um período de conforto na presença do Senhor. Foi um tempo de uma intimidade inquestionável, de uma fé inabalável, de aprendizagens constantes assentados aos pés do Amado Jesus em horas e horas de estudos bíblicos, de leitura diária da Palavra, de oração sincera, de alimentação espiritual.

Anos e anos de experiências com Deus num deserto que, embora árido e solitário, deu-nos as melhores oportunidades de conhecer o Senhor de perto, aprender a identificar Sua voz dentre as milhares que retumbam todos os instantes tentando confundir e desviar nossa atenção do caminho da salvação.

Foi uma época em que a Divina Águia saía à caça pessoalmente e trazia-nos a comida até o ninho, protegia-nos dos predadores, cuidava-nos com todos os mimos. Época em que nos sentíamos bem guardados, fortes, influentes. Época de segurança, de ousadia, de esperança inviolável, porque a voz do Senhor falava bem de perto, a Sua visão de lince acerca do futuro era o que nos guiava, e a Sua força se empenhava em nosso favor.

Que tempo maravilhoso aquele, lá dentro do ninho, onde nenhum inimigo ousava se aproximar. Onde nosso Pai respondia por nós. Onde as dores pareciam não existir.

Mas filhotes crescem, não é? E chegou o momento em que o ninho começou a ficar apertado. O aprendizado dentro dele devia ser levado para fora. E a teoria teve de começar a ser praticada. Foi então que Deus nos deu um abraço, como que Se despedindo por algum tempo, porque sabia que, à princípio, os filhotes não compreenderiam quando o Senhor lhes colocasse para fora do ninho.

Começava, repentinamente, um tempo em que seríamos forçados a voar. Deveríamos abrir as asas e por em prática tudo o que havíamos aprendido com o Senhor ao longo do tempo no aconchego do ninho.

De repente, a paz que cantava aos nossos corações todas as manhãs era impedida de chegar porque uma turbulência se manifestava logo ao despertarmos do sono. Tudo parecia tão confuso e assombroso... Diante da solidão que há longe do ninho e da presença do Pai, imagens de um passado morto ressuscitaram, uma atrás da outra, e começaram a desfilar com a mortalha já apodrecida e rasgada da autocomiseração em nossas mentes, o tempo todo. Uma dor imensa diante da separação, uma sensação de abandono e rejeição diante do silêncio, e a inevitável ideia e que a fidelidade que o Senhor prometera e demonstrara outrora parecia não existir mais.

São momentos tão difíceis, esses!... Parece que Deus não está Se importando, não está preocupado em nos ouvir, não está mais por perto. Mas na verdade, Ele está. Está nos ensinando a voar. Pois tudo o que o filhote aprendeu, tudo o que do Senhor recebeu, não foi lhe dado para ser guardado, mas para ser usado, aplicado em toda a sua maneira de viver, e para revelar a glória do Altíssimo ao mundo através da sua vida. Porém, se o filho da águia permanecer apegado a um ninho, escondido dentro dele, isso não será possível.

Quando chega esse momento de começarmos a voar sozinhos, é comum um desespero muito grande arrebatar nossa calma, porque o que parecia tão estável de repente se torna um turbilhão em pleno funcionamento. Mas é aqui que devemos compreender que é chegado o nosso momento de usar as asas que já nos foram formadas, e nos esforçarmos para desenvolver a preciosa e sublime habilidade de voar.

Claro, não será fácil, nem será na primeira tentativa. Tropeços acontecem, desequilíbrios ocorrerem, quedas são inevitáveis. Mas as garras habilidosas do nosso Pai cuidadosamente nos recolhem antes que nos espatifemos no chão. Porque “como a águia ensina os filhotes a voar e com as asas estendidas os pega quando estão caindo, assim o Senhor Deus cuida do Seu povo. Ele os guiou sozinho, sem a ajuda de outro deus” (Deuteronômio 32.11-12).

É bem possível que as muitas novidades que transformaram repentinamente nossas vidas, e os conflitos interiores que nos entristecem hoje, sejam produtos dessa nova experiência a que estamos sendo submetidos: A experiência de deixar o ninho e aprender a voar. 

E pode ser que nossos primeiros voos pareçam um fracasso mas, na verdade, são as parcelas necessárias ao aprendizado e crescimento, e a soma de todos eles será um resultado maravilhoso. E mesmo diante da nossa incredulidade momentânea, do sentimento de fraqueza e insuficiência que nos acomete em circunstâncias assim, mesmo diante das dificuldades dos primeiros voos, nosso Pai Águia não desistirá de nos ensinar e nem deixará que nos choquemos contra uma rocha, se nós também insistirmos em aprender e seguirmos todas as Suas direções.

Nessas condições, num curto espaço de tempo estaremos voando nas alturas de um céu sem limites para nós. E nosso Pai estará lá, realizando em parceria conosco voos espetaculares, e compartilhando conosco da alegria das grandes conquistas que virão.

E então, compreenderemos o propósito das nossas vidas, e o privilégio que nos foi dado de sermos espiritualmente como águias e de termos Deus como Pai.

3 de maio de 2013

Em caminhos desertos...


Em caminhos desertos...

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“[...] Não parecia que o nosso coração queimava dentro do peito quando Ele [Jesus] nos falava na estrada e nos explicava as Escrituras Sagradas?”
Lucas 24.32


Quando nós aprendemos a depender totalmente de Deus, algumas transformações incríveis acontecem em nossa maneira de pensar, de sentir, de ver, de agir...

Aprendemos que julgamentos de pessoas são sempre inconvenientes, pois uma vez que desconhecemos os motivos e as condições reais dos corações dos outros, quase sempre exercemos injustiças julgando-os. Por isso, aprendemos também a ouvir, analisar e tentar compreender, julgando a atitude sem diminuir a pessoa, pois esta não passa de alguém tão amada por Deus como nós e tão digna de misericórdia divina como nós.

Aprendemos que calar muitas vezes é a maneira de gritar mais alto, e que o tempo se encarregará de ecoar esse grito pelos horizontes da verdade. Aprendemos que parar muitas vezes é uma atitude de extrema sabedoria, e não de comodismo, fraqueza ou fracasso.

E aprendemos essas coisas porque aprendemos a esperar por Deus, pelo Seu tempo, pela Sua perfeita, boa e agradável vontade, pela Sua justiça, pela Sua providência, que embora pareçam tardias, sempre chegam embrulhadas no belíssimo papel da graça, enlaçados com a fita vermelha do sublime amor do Senhor, que Se manifesta incrivelmente a todo instante desde os grandes milagres da vida até os seus eventos mais singelos. E tudo isso acontece exatamente no momento em que deve ser.

Aprendemos que ser feliz não significa ter coisas, nem uma estante cheia de títulos e troféus, tampouco uma quantidade significativa de pessoas ao nosso redor. Ser feliz implica em primeiramente ter preenchido o vazio da nossa existência, que tem o tamanho exato de Jesus.

E implica permitir que essa presença (do Senhor) nos ensine a crescer com momentos bons, quando nossas redes ficam prestes a se romper pela cortesia do mar em nos servir com seu melhor, ou com momentos maus, quando as águas se turvam e põem à prova a nossa fé e caráter. Nessas horas, se temos Deus no controle, aprendemos que a fúria do mar vem fazer de nós bons marinheiros, enquanto o Divino Capitão conduz em segurança o nosso barquinho até o cais.

Aprendemos que não basta ser gente. É preciso ser humano. E para isso também aprendemos a buscar na pessoa gentil e íntegra do Homem de Nazaré os primeiros exemplos que Ele nos deixou e que devem ser continuados por nós, em nossa relação com Deus, com o próximo e com nós mesmos.

Aprendemos que podemos ter tudo nessa vida, inclusive o próprio Jesus. Mas se Jesus não nos tem, se nosso ego ainda é o nosso senhor, então somos, na verdade, os mais pobres e incompletos seres do mundo.

E aprendemos, dentre tantas outras coisas, que andar com Deus diariamente á a única maneira de acertar o caminho; é a única maneira de garantir paz em meio aos combates que diariamente são travados em nossas vidas; é a única maneira de sermos melhores nessa nossa existência.

Quem anda com Deus aprende que, por mais que os seres humanos sejam importantes, nenhum deles pode substituir o lugar do Criador, o lugar da Sua essência em nós. E assim, aprende por uma íntima experiência com a vida e com o Santo, que estar sozinho não significa ser solitário, mas muitas vezes, participar assiduamente da escola da vida, significa aceitar o tempo de reflexões e de cura durante essa nossa peregrinação.

Andar longe de pessoas por um tempo (longo ou curto), não significa estar desacompanhado do sentido da vida. É quando aprendemos a depender totalmente de Deus, que mesmo em caminhos absolutamente desertos nos sentimos amparados em todas as nossas carências. O vazio próprio, que é cheio de conformismos, deixa de ser nossa habitação.

E constatamos que solidão tem muito mais a ver com multidões.


1 de maio de 2013

...E verão a glória!


...E verão a glória!

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“[...] Farei com que Meu povo prospere novamente e terei compaixão dele.”
Jeremias 33:23-26


Jerusalém...
Tratava-se de uma nação vazia, saqueada, abandonada, que outrora brilhava sobre o pedestal das nações.

Tratava-se então de um povo que foi levado cativo por causa de um estilo de vida totalmente distante daquele que deve ser o padrão de santidade de quem já conhece a verdade. Tratava-se de um povo que conhecia a verdade e que escolheu o pecado.

Porém, tratava-se de um povo amado por Deus, cujo nome é SENHOR.

Aquelas pessoas tinham de lidar com o desprezo das nações vizinhas.
Tinham de lidar com o descaso para com o seu valor.
Tinham de lidar com as mentiras e as especulações a seu respeito.
E tinham de suportar todos os escárnios e afrontas que lhes sobrevinham.
Pois riam, e maldiziam, e humilhavam e desdenhavam delas.
Porém, tratava-se de pessoas que tinham promessas do Eterno a seu respeito.

Era um povo rebelde, é certo, mas que tinha um Deus que lhes amava.
Era um povo doente, mas estava em processo de cura.
Era um povo fraco, mas que tinha um Pai no Céu que fortalece e responde por Seus filhos.
Era um povo subjugado, mas tratava-se de um povo cuja esperança se renovava nas palavras de restauração do Senhor de planos que não podem ser frustrados.

Ninguém entendia, e todos julgavam. Ninguém sabia, e todos condenavam.
Ninguém conhecia os propósitos de Deus para aquele povo. E todos duvidavam.

Assim como fazem comigo.
Assim como têm feito com você.

Até que veio a salvação do Senhor e restaurou a sorte do Seu povo.
E viram a glória de Deus na reconstrução dos muros.
E viram a glória do Todo-Poderoso repovoando a cidade.
E viram a glória do Senhor na segunda casa.
E viram a glória do Rei abençoando Seu povo com Paz.

E verão a glória de Santo no cumprimento das Suas promessas na minha e na sua vida.

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