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“Como a águia
ensina os filhotes a voar e com as asas estendidas os pega quando estão caindo,
assim o Senhor Deus cuida do Seu povo.”
Deuteronômios 32.11
Era um lugar tranquilo, um ninho aconchegante, um
período de conforto na presença do Senhor. Foi um tempo de uma intimidade
inquestionável, de uma fé inabalável, de aprendizagens constantes assentados
aos pés do Amado Jesus em horas e horas de estudos bíblicos, de leitura diária
da Palavra, de oração sincera, de alimentação espiritual.
Anos e anos de experiências com Deus num deserto que,
embora árido e solitário, deu-nos as melhores oportunidades de conhecer o Senhor
de perto, aprender a identificar Sua voz dentre as milhares que retumbam todos
os instantes tentando confundir e desviar nossa atenção do caminho da salvação.
Foi uma época em que a Divina Águia saía à caça
pessoalmente e trazia-nos a comida até o ninho, protegia-nos dos predadores, cuidava-nos
com todos os mimos. Época em que nos sentíamos bem guardados, fortes, influentes.
Época de segurança, de ousadia, de esperança inviolável, porque a voz do Senhor
falava bem de perto, a Sua visão de lince acerca do futuro era o que nos guiava,
e a Sua força se empenhava em nosso favor.
Que tempo maravilhoso aquele, lá dentro do ninho,
onde nenhum inimigo ousava se aproximar. Onde nosso Pai respondia por nós. Onde
as dores pareciam não existir.
Mas filhotes crescem, não é? E chegou o momento em que o
ninho começou a ficar apertado. O aprendizado dentro dele devia ser levado para
fora. E a teoria teve de começar a ser praticada. Foi então que Deus nos deu um
abraço, como que Se despedindo por algum tempo, porque sabia que, à princípio,
os filhotes não compreenderiam quando o Senhor lhes colocasse para fora do
ninho.
Começava, repentinamente, um tempo em que seríamos forçados
a voar. Deveríamos abrir as asas e por em prática tudo o que havíamos aprendido
com o Senhor ao longo do tempo no aconchego do ninho.
De repente, a paz que cantava aos nossos
corações todas as manhãs era impedida de chegar porque uma turbulência se
manifestava logo ao despertarmos do sono. Tudo parecia tão confuso e assombroso...
Diante da solidão que há longe do ninho e da presença do Pai, imagens de um
passado morto ressuscitaram, uma atrás da outra, e começaram a desfilar com a
mortalha já apodrecida e rasgada da autocomiseração em nossas mentes, o tempo
todo. Uma dor imensa diante da separação, uma sensação de abandono e rejeição
diante do silêncio, e a inevitável ideia e que a fidelidade que o Senhor prometera
e demonstrara outrora parecia não existir mais.
São momentos tão difíceis, esses!... Parece que
Deus não está Se importando, não está preocupado em nos ouvir, não está mais
por perto. Mas na verdade, Ele está. Está nos ensinando a voar. Pois tudo o que
o filhote aprendeu, tudo o que do Senhor recebeu, não foi lhe dado para ser
guardado, mas para ser usado, aplicado em toda a sua maneira de viver, e para revelar
a glória do Altíssimo ao mundo através da sua vida. Porém, se o filho da águia permanecer
apegado a um ninho, escondido dentro dele, isso não será possível.
Quando chega esse momento de começarmos a
voar sozinhos, é comum um desespero muito grande arrebatar nossa calma, porque
o que parecia tão estável de repente se torna um turbilhão em pleno
funcionamento. Mas é aqui que devemos compreender que é chegado o nosso momento
de usar as asas que já nos foram formadas, e nos esforçarmos para desenvolver a
preciosa e sublime habilidade de voar.
Claro, não será fácil, nem será na
primeira tentativa. Tropeços acontecem, desequilíbrios ocorrerem, quedas são
inevitáveis. Mas as garras habilidosas do nosso Pai cuidadosamente nos recolhem
antes que nos espatifemos no chão. Porque “como a águia ensina os filhotes a
voar e com as asas estendidas os pega quando estão caindo, assim o Senhor Deus cuida
do Seu povo. Ele os guiou sozinho, sem a ajuda de outro deus” (Deuteronômio
32.11-12).
É bem possível que as muitas novidades que
transformaram repentinamente nossas vidas, e os conflitos interiores que nos entristecem
hoje, sejam produtos dessa nova experiência a que estamos sendo submetidos: A
experiência de deixar o ninho e aprender a voar.
E pode ser que
nossos primeiros voos pareçam um fracasso mas, na verdade, são as parcelas necessárias ao aprendizado e crescimento, e a soma de todos eles será um resultado maravilhoso. E mesmo diante da nossa incredulidade momentânea, do sentimento de fraqueza e insuficiência que nos acomete em circunstâncias assim, mesmo diante das dificuldades dos primeiros voos, nosso Pai Águia não desistirá de
nos ensinar e nem deixará que nos choquemos contra uma rocha, se nós também insistirmos
em aprender e seguirmos todas as Suas direções.
Nessas condições, num curto espaço de
tempo estaremos voando nas alturas de um céu sem limites para nós. E nosso Pai
estará lá, realizando em parceria conosco voos espetaculares, e compartilhando
conosco da alegria das grandes conquistas que virão.
E então, compreenderemos o propósito das
nossas vidas, e o privilégio que nos foi dado de sermos espiritualmente como águias e de termos
Deus como Pai.